Retorno a Buenos Aires: drama brasileiro aplaudido em Veneza já desperta interesse da Netflix

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O cinema nacional volta a estampar os holofotes internacionais com “Retorno a Buenos Aires”, coprodução Brasil–Itália que acaba de garantir lugar na competição principal do Festival de Veneza. O longa, dirigido por Marco Bechis, revisita feridas da ditadura argentina por meio de uma história de sobrevivência que mistura suspense psicológico e forte carga emocional.

Quem acompanhou a recepção calorosa nas primeiras exibições de mercado já percebeu: a obra tem tudo para conquistar o Leão de Ouro — e, na sequência, abrir caminho para uma chegada estratégica à Netflix, reforçando a presença de produções latino-americanas na plataforma. É sobre esse possível percurso, os bastidores e o impacto do filme que falamos a seguir.

Por que o filme já é favorito em Veneza

Diferente de produções costumeiramente ligadas a grandes estúdios, “Retorno a Buenos Aires” surge de um processo artesanal: foram três meses de preparação no Brasil, quatro semanas de filmagens em Porto Alegre e outras três em Turim. O resultado impressionou a curadoria do festival, que destacou a “força do testemunho histórico aliado a um acabamento estético contundente”.

A narrativa acompanha Mariano Guerra, ex-preso político que volta ao país natal para depor contra os militares que o torturaram. A premissa traz a assinatura autobiográfica de Bechis, ele próprio sequestrado na ditadura argentina. Essa fusão de experiência pessoal com ficção garante autenticidade, elemento frequentemente valorizado pelo júri de Veneza.

Além disso, o elenco internacional liderado por Adriano Giannini contracena com os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy, adicionando multiculturalidade. A fotografia elegante de Félix Monti, combinada ao design de produção de Eduardo Antunes, entrega um visual sóbrio que mergulha o espectador em corredores de tribunais, pensões antigas e memórias difusas — o tipo de atmosfera que prende a atenção em uma maratona de streaming.

5 motivos para ficar de olho em Retorno a Buenos Aires

1. Uma trama pessoal e universal

Por trás do enredo judicial, o longa discute a chamada “culpa do sobrevivente”, tema capaz de dialogar com qualquer público que já lidou com perdas ou traumas coletivos. A jornada de Mariano não depende de conhecimento prévio sobre a história da Argentina; ela fala sobre recomeçar depois do inominável — ponto que ressoa fortemente no cenário pós-pandemia.

Ao adotar esse viés humano, o roteiro evita cair em didatismos ou datas históricas engessadas. Tudo é contado pelo olhar inquieto do protagonista, recurso que potencializa a empatia e sustenta o ritmo, criando momentos de silêncio tão eloquentes quanto os depoimentos explosivos em tribunal.

2. Direção com selo de autenticidade

Marco Bechis, conhecido por “Terra Vermelha” e “Garage Olimpo”, volta a tratar de memória política sem abrir mão da linguagem cinematográfica envolvente. Ele guia a câmera por espaços reais onde ocorreram sessões de tortura, algo que acrescenta textura documental, mas sem transformar o filme num registro frio.

Para quem curte estudar direção, vale reparar como os planos-sequência prolongados transmitem a sensação de espera, refletindo o limbo emocional dos sobreviventes. Essa marca autoral, respeitada pela crítica europeia, pode ser o trunfo que explicará eventual vitória em Veneza e, depois, a boa performance na Netflix.

3. Elenco que mistura Itália, Brasil e Argentina

Adriano Giannini entrega um Mariano contido, mas visceral, enquanto Paula Cohen vive uma advogada que equilibra pragmatismo e compaixão. A química entre ambos foi elogiada nas sessões-teste, especialmente nas cenas em que reconstroem lembranças nebulosas do cativeiro.

A pluralidade de sotaques reforça o caráter transnacional do projeto e deve atrair assinantes que buscam histórias além do eixo Hollywood. Na plataforma, filmes como “O Bar” e “Roma” já provaram que o público responde bem a elencos diversos, aumentando a expectativa para “Retorno a Buenos Aires”.

4. Bastidores financiados pelo FSA

A produção foi viabilizada pelo Fundo Setorial do Audiovisual, que tem priorizado descentralização de recursos. A 34 Filmes, sediada em Brasília, articula-se há anos para colocar o centro-oeste no mapa internacional, e agora colhe o primeiro fruto de peso ao chegar à competição principal de Veneza.

O envolvimento de técnicos brasileiros em cargos-chave, como figurino de Coca Serpa e produção executiva de André Ristum, fortalece a mão-de-obra local. Esse dado interessa ao usuário da Netflix que gosta de descobrir como um filme é feito e, inclusive, pode provocar entrevistas exclusivas quando o título entrar no catálogo.

5. Quando e como pode chegar à Netflix

Por ser uma coprodução com a italiana Fandango e a Rai Cinema, a distribuição ainda está em negociação, mas bastidores de mercado indicam que a plataforma já abriu conversas para adquirir direitos globais após a janela de festivais. O histórico recente mostra que títulos premiados em Veneza, como “Ataque dos Cães” e “Roma”, entraram no streaming cerca de quatro a seis meses depois do circuito de mostras.

Se o padrão se repetir, “Retorno a Buenos Aires” pode pintar no catálogo no primeiro semestre de 2027, reforçando a leva de produções latino-americanas que a plataforma promete para o próximo ano. Enquanto a confirmação não vem, vale acompanhar o calendário oficial de estreias da plataforma — disponível neste guia atualizado — e marcar o título na lista de desejos assim que surgir.

Com narrativa potente, apelo internacional e possibilidade de premiação, “Retorno a Buenos Aires” surge como aposta imperdível para quem acompanha cinema de autor na Netflix. E fica o orgulho: mais uma produção com DNA brasileiro pronta para ganhar o mundo, levando junto o selo de qualidade do portal NoNetflix.