A Netflix liberou os primeiros vislumbres da quarta temporada de “Monstro: A História de Lizzie Borden” e, junto com eles, confirmou a estreia global para 17 de setembro de 2026. As imagens entregam sangue, figurinos vitorianos e um tom irônico que promete chacoalhar o catálogo de true crime do streaming.
Com direção criativa de Ryan Murphy e Ian Brennan, a nova leva de episódios mergulha no controverso julgamento de Lizzie, acusada de assassinar pai e madrasta a machadadas em 1892. Mas, se depender dos showrunners, a narrativa vai muito além do thriller histórico: há pitadas de humor ácido, trilha pop moderna e um olhar feminista sobre um dos casos mais macabros dos Estados Unidos.
O que esperar da nova temporada
A virada feminista da trama
Depois de retratar Jeffrey Dahmer, os irmãos Menéndez e Ed Gein, “Monstro” coloca pela primeira vez uma mulher no centro do palco. Os roteiristas exploram como a sociedade patriarcal da época contribuiu para a absolvição de Lizzie, considerada “frágil demais” para empunhar um machado. Esse viés promete provocar discussões semelhantes às vistas em outras séries de true crime da plataforma, mas com a ousadia característica de Murphy, que comparou a temporada a “Cinderela com gotas de sangue”.
Um dos trunfos é a suposição de uma relação amorosa entre Lizzie e a empregada Bridget Sullivan. O romance, tratado como tabu no século XIX, ganha contornos de rebeldia e pode servir de motivação dramática para o crime. Para reforçar a atmosfera anacrônica, hits de Kate Bush e Wet Leg pontuam cenas cruciais, criando um contraste deliciosamente estranho entre o som contemporâneo e os cenários vitorianos.
Calendário, formato e episódios
Serão oito capítulos de cerca de uma hora, todos disponibilizados de uma só vez. Gravada entre setembro de 2025 e março de 2026 em Los Angeles, Chicago e Roma, a temporada custou estimados US$ 57 milhões por episódio — um salto orçamentário que explica a rica cenografia e a fotografia granulada, simulando placas fotográficas antigas.
O lançamento em setembro posiciona a série para a temporada de premiações de 2027, estratégia já usada por “Dahmer” e que rendeu Emmy e Globo de Ouro ao projeto. Além disso, o intervalo de quatro anos entre a terceira e a quarta temporada cria expectativa entre fãs que esperam maratonar tudo numa noite.
Elenco e produção grandiosos
Protagonistas de peso
Ella Beatty (vista em “Feud: Capote vs. The Swans”) assume o papel-título, prometendo equilibrar ingenuidade e crueldade em tela. Vicky Krieps (“Trama Fantasma”) vive Bridget, descrita como uma “fada madrinha punk” que inspira Lizzie a quebrar regras sociais. A química das duas já aparece nas fotos: troca de olhares cúmplices enquanto um machado ensanguentado repousa no fundo do quadro.
Imagem: Netflix
Do lado das vítimas, Charlie Hunnam interpreta Andrew Borden com sotaque rígido e postura de magnata, enquanto Rebecca Hall encarna a madrasta Abby como uma madrasta digna de “Mamãezinha Querida”, segundo a própria atriz. O elenco se completa com Joey Pollari, Jessica Barden e Billie Lourd, além da aguardada participação de Sarah Paulson como a serial killer Aileen Wuornos — crossover que deve render conversas animadas nos fóruns de fãs.
Bastidores milionários e curiosidades
Max Winkler dirige o primeiro episódio e assina a produção executiva ao lado de Murphy e Brennan. Eles contam com um time experiente em coordenar grandes sets internacionais, justificando gravações em palacetes romanos que simulam a Nova Inglaterra do século XIX. Esse cuidado histórico, aliado ao figurino elaborado, pretende colocar “Monstro” na lista das séries visualmente mais ambiciosas da Netflix em 2026.
De acordo com o portal NoNetflix, a equipe utilizou fac-símiles dos autos originais do julgamento para alimentar o roteiro, garantindo verossimilhança nos diálogos dos tribunais. Outra curiosidade: parte da trilha foi gravada com instrumentos da época para se fundir aos sintetizadores modernos, criando um som híbrido que ecoa o choque de gerações proposto pela série.
Agora resta aguardar setembro chegar para descobrir se Lizzie Borden realmente pegou o machado — e, principalmente, se Ryan Murphy conseguirá transformar mais um caso real em fenômeno de streaming.
