Imagine assistir a um filme e, logo depois dos créditos, mergulhar num show que expande tudo o que acabou de ver e ouvir. É exatamente essa a proposta da pré-estreia de “Aquele Que Viu o Abismo”, marcada para 27 de julho no Cinema da Fundação | Derby, no Recife.
Premiado na Mostra de Tiradentes, o longa de Gregorio Gananian e Negro Leo mistura ficção científica, música e performance num caldo visual que promete deixar qualquer maratonista de streaming de queixo caído. A seguir, contamos por que esse evento virou assunto quente entre cinéfilos e por que o filme tem tudo para ganhar espaço no catálogo da Netflix nos próximos meses.
O que faz da pré-estreia um evento imperdível
Experiência ampliada com o Abismo Show
Logo após a sessão, o público acompanha o Abismo Show, performance conduzida pelos próprios diretores. O palco se confunde com a sala de cinema: projeções, ruídos eletrônicos e improviso vocal recriam — e distorcem — cenas recém-vistas. A ideia é que a história não se encerre nos créditos, mas continue reverberando nos sentidos do espectador.
Esse formato híbrido, mais comum em festivais de vanguarda, chega agora a uma sala comercial e coloca Recife no mapa dos lançamentos mais ousados do país. Para quem coleciona ingressos de pré-estreias ou curte experiências imersivas, trata-se de oportunidade rara.
Interação direta com os realizadores
Gananian e Negro Leo estarão presentes para conversar com a plateia, algo cada vez menos frequente em grandes lançamentos. A troca deve revelar detalhes de produção, do roteiro caleidoscópico às soluções de baixo orçamento que resultaram em imagens hipnóticas.
Esses bastidores costumam atrair curiosos e profissionais de audiovisual, afinal, entender como se costura um sci-fi autoral no Brasil ajuda a quebrar preconceitos sobre os limites do cinema nacional.
Por que ficar de olho em “Aquele Que Viu o Abismo”
Sinopse alucinante e clima de distopia tropical
Na trama, acompanhamos X (Negro Leo), um andarilho que vive num futuro onde a corporação ProLife vende a promessa de vida eterna. Entre visões psicodélicas e assassinatos misteriosos, ele tenta escapar de um destino traçado por forças que vão além da tecnologia.
O roteiro bebe em referências de obras como “Blade Runner” e “Tetsuo”, mas adiciona elementos de cultura popular brasileira, criando uma distopia tropical que conversa com temas atuais: crise ambiental, culto à juventude e poder das big techs sobre o indivíduo.
Imagem: Hiccaro Rodrigues
Elenco multiartista e trilha que pulsa
Além de atuar, Negro Leo assina parte da trilha experimental que conduz o espectador por drones, ruídos metálicos e batidas quebradas. O elenco conta ainda com Danielly O.M.M. Kaufmann, Ava Rocha e participação especial de Clara Choveaux, nomes conhecidos da música e do cinema independente.
Essa fusão de linguagens faz o longa escapar das caixinhas de gênero e ganhar força em festivais, onde a recepção tem sido de aplausos entusiasmados. A vitória em Tiradentes já rendeu convites para mostras internacionais focadas em obras sensoriais.
Potencial de streaming e curiosidades de produção
Embora a estreia nacional ocorra nos cinemas em 30 de julho, conversas nos bastidores indicam negociação para que o filme chegue à Netflix ainda este ano. Caso se confirme, o título pode repetir o caminho de sucessos independentes que ganharam fôlego global após entrarem no catálogo.
Curiosamente, grande parte dos efeitos visuais foi criada com inteligência artificial de código aberto, recurso que barateou o processo e aumentou a liberdade criativa. Já as cenas em florestas e galpões abandonados foram captadas em Pernambuco, dando um toque regional à atmosfera futurista.
Com proposta audiovisual ousada, sessão performática e um debate fervendo sobre futuro distópico, “Aquele Que Viu o Abismo” desponta como um dos lançamentos brasileiros mais intrigantes do ano — e, se tudo der certo, logo poderá ser descoberto por milhões de assinantes. Segundo o portal NoNetflix, vale ficar atento para não perder essa imersão que promete sacudir os sentidos e renovar a forma como consumimos cinema em tempos de streaming.
