Uma única conversa, regada a vinho e promessas, bastou para transformar o sétimo episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão no mais explosivo do ano. Nos minutos finais, Ulf, o Branco, surge jantando em Tumbleton com Ormund Hightower — sinal quase inequívoco de que o recém-feito cavaleiro de dragão está pronto para abandonar Rhaenyra Targaryen e se juntar aos Verdes. A possível deserção dilacera a margem estratégica dos Pretos a poucas horas da batalha decisiva.
Se confirmado, o movimento não apenas subtrai um dragão do lado de Rhaenyra, como também concede aos inimigos o colossal Silverwing. Em uma guerra que já se equilibra por fios, a troca de lealdade de Ulf pode custar a Coroa Negra a supremacia aérea conquistada com dificuldade ao longo da temporada.
Um jantar que muda o mapa da guerra
Ormund Hightower enxergou em Ulf a combinação exata de ressentimento e ambição. Humilhado por Daemon no episódio anterior e desconfortável com a rigidez militar dos Pretos, o antigo beberrão das tavernas de Porto Real jamais se adaptou aos salões de Pedra do Dragão. Ao perceber a brecha, o líder dos Verdes lhe oferece aquilo que mais pesa para um homem que cresceu sem título: um futuro como Senhor das Marés em Driftmark — cargo que pode vagar caso Corlys Velaryon, ainda prisioneiro, sucumba aos ferimentos.
A série mostra apenas o convite, não o juramento. Porém, a expressão de Ulf, entre alívio e cobiça, denuncia que a decisão parece tomada. Para Rhaenyra, a dor é dupla: perde-se um dragão e fortalece-se o adversário no mesmo lance. Silverwing figura entre as maiores feras vivas, potência que Ormund e o jovem Daeron jamais imaginaram conquistar tão perto do clímax da guerra.
De cavaleiro improvisado a peça-chave
Ulf subiu à sela há pouco tempo, chamado às pressas quando Rhaenyra precisou reforçar sua fileira de dragoneiros. A nova função exigia disciplina, sobriedade e obediência — atributos que destoam de seu passado boêmio. Entre um choque e outro com a hierarquia, acumulou frustrações que ganharam volume após a reprimenda pública de Daemon. O episódio 7 capitaliza essa mágoa: o orgulho ferido torna-se porta de entrada para Hightower, que seduz o cavaleiro com terras, título e independência.
Outros fios de traição se entrelaçam
O roteiro amplia a sensação de cerco ao mostrar que a possível deserção de Ulf é apenas uma das fissuras internas dos Pretos. A união entre Rhaenyra e Daemon, já abalada por profecias frustradas, recebe novo golpe quando Mysaria expõe segredos que o príncipe guardava a respeito da própria filha. Ao insinuar que o marido esconde informações, a ex-Lareira Branca planta dúvidas que se alastram pelos corredores de Pedra do Dragão.
Na mesma toada, Baela e Addam aparecem com a notícia de que Rhaena está viva e montou Sheepstealer, informação que poderia fortalecer o moral dos Pretos. Entretanto, a alegria é ofuscada pela desconfiança sobre quem sabia do paradeiro da jovem e optou por manter silêncio. A rainha, cada vez mais pressionada, termina o episódio dividindo confidências e afetos com Mysaria, gesto que cristaliza a influência da conselheira na corte.
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Alicent contra o próprio filho
Enquanto Rhaenyra vê seu círculo rachar, os Verdes também enfrentam tempestades domésticas. Em Harrenhal, Alicent finalmente reencontra Aemond, mas descobre que o filho pretende erguer um reino paralelo ao lado de Alys Rivers — e que a mantém na fortaleza quase como refém. Desesperada, a ex-rainha prepara um vinho misturado a ervas venenosas colhidas no bosque sagrado. Aemond bebe, cambaleia e cai diante de Alys. O episódio encerra-se sem revelar se o príncipe morreu ou apenas foi incapacitado, deixando o jogo sucessório dos Verdes em suspenso.
Dragões reaparecem e aumentam tensão
- Corlys Velaryon segue prisioneiro de Ormund, mas Alyn recebe um dos dedos do pai como prova de vida, ansiedade que pode afetar o comando naval dos Pretos.
- Rhaena, agora aliada de Sheepstealer, adiciona um dragão imprevisível às fileiras negras, ainda sem compensar a possível perda de Silverwing.
- Aegon Targaryen reaparece montado em Sunfyre, criatura tida como desaparecida. O retorno sustenta a moral dos Verdes e confunde os espiões rivais.
Nesse cenário, cada dragão passa a simbolizar não só poder de fogo, mas também confiança política: possuir a fera não basta, é preciso garantir a lealdade de quem maneja as rédeas.
Consequências para o capítulo final
O penúltimo capítulo termina com a balança da guerra pendendo para onde o vento da traição soprar. Se Ulf selar pacto com Ormund, os Verdes trocam a baixa de Aemond — ainda incerta — por um reforço aéreo de peso, equilibrando o duelo de dragões. Para Rhaenyra, a perda simbólica é tão grave quanto a militar: ver um juramento quebrado mina o moral do exército e alimenta teorias de que o Trono de Ferro pode jamais aceitar uma rainha.
Já nos bastidores de Pedra do Dragão, Mysaria ascende ao posto de confidente, movendo peças que Daemon não consegue mais controlar. O casal Targaryen, antes temido pelo ímpeto incendiário, exibe agora rachaduras que Hightower e Alicent saberão explorar. Com alianças frágeis, reféns dispersos e venenos circulando em taças, o episódio reforça a lição que A Casa do Dragão repete desde a estreia: na Dança dos Dragões, o fogo pode até decidir a batalha, mas é a lealdade — ou a falta dela — que vence a guerra.
