72 Horas em Miami: a comédia com Kevin Hart vale o seu play na Netflix?

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Kevin Hart volta à telinha da Netflix disposto a tudo para salvar a carreira do publicitário Joe, protagonista de “72 Horas em Miami”. A trama coloca o quarentão no meio de uma despedida de solteiro repleta de influenciadores e exageros dignos da Geração Z.

A premissa soa irresistível para quem procura diversão rápida, mas será que o longa de Tim Story acerta na mistura de caos, piadas escatológicas e mensagens sobre amizade? Conferimos de perto e destrinchamos os altos e baixos a seguir.

Por que a premissa conquista de primeira

Elenco carismático e química instantânea

Logo nos primeiros minutos, Kevin Hart mostra seu timing afiado ao contracenar com o estreante Marcelo Hernández, responsável por um arco de amadurecimento que surpreende. A dupla mantém a energia lá em cima, ajudando o público a embarcar na viagem descontrolada até Miami sem questionar muito a lógica da situação.

Tim Story, conhecido pelo sucesso de “Policial em Apuros”, faz um primeiro ato enxuto, construindo a ponte entre a rotina corporativa de Joe e o universo festivo dos jovens criadores de conteúdo. Esse contraste gera momentos de pura identificação para quem já se sentiu “tiozão” em meio a memes, gírias e dancinhas do TikTok.

Ritmo de maratona e cenários vibrantes

Com 1h40 de duração, o filme foi pensado para caber em uma maratona noturna sem cansar. A fotografia abusa de neon, praias e rooftops, entregando a vibe “Miami Vice” que o catálogo da Netflix ainda explorava pouco. Os cenários também funcionam como piada visual: cada novo ambiente parece competir para ser mais excêntrico que o anterior.

Além disso, a trilha sonora mescla trap latino e hits nostálgicos dos anos 2000, reforçando o choque de gerações que impulsiona o roteiro. Essa combinação sonora garante aquele clima de festa interminável, ideal para manter a atenção do espectador no streaming.

Onde a comédia tropeça (e como isso afeta sua experiência)

Roteiro disperso e exageros gratuitos

A partir do segundo ato, o texto de Matt Mider e Kevin Burrows perde o foco: subtramas com traficantes, policiais atrapalhados e romances relâmpago surgem e somem sem conclusão. O humor físico até arranca gargalhadas isoladas, mas o excesso de coincidências faz a lógica interna ruir, deixando a história confusa.

Esse vaivém narrativo também dilui temas mais profundos, como a crise de meia-idade de Joe e a pressão do marketing digital sobre a juventude. Quando o filme tenta ficar sentimental, o público já está anestesiado pelos exageros, e o impacto emocional passa longe.

Aproveitamento desigual do elenco de apoio

Quem se anima ao ver nomes como Gugu Mbatha-Raw ou Sam Richardson pode sair frustrado: os atores têm poucas cenas relevantes e acabam usados apenas como alívio rápido entre uma confusão e outra. Fica evidente que havia potencial para diálogos mais ácidos sobre trabalho, amizade e autoimagem.

Em compensação, Kevin Hart carrega o peso da produção com carisma de sobra, provando por que ainda é presença constante nos tops de streaming. Se não fosse por ele, “72 Horas em Miami” poderia facilmente se perder entre tantas comédias descartáveis do catálogo.

Em resumo, “72 Horas em Miami” entrega diversão imediata e visual chamativo, mas escorrega na coerência do roteiro. Vale a sessão despretensiosa para quem curte ver Kevin Hart em modo “peixe fora d’água” e não liga para furos narrativos. NoNetflix destaca: ajuste as expectativas, embarque pelas risadas pontuais e esqueça a lógica por 100 minutos — exatamente o tempo que Joe tem para salvar a própria carreira (e, talvez, a sua noite).

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Bryan Barbosa é redator responsável por criar conteúdos sobre filmes, séries, streaming e cultura pop, trazendo informações atualizadas, análises e novidades para os leitores.